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Filipe Melâncton

BIOGRAFIA CRISTÃ Nº 72: Filipe Melâncton (1497-1560), também conhecido como Philipp Schwartzerdt ou Philipp Melanchthon, foi um alemão Estudante (de Jurisprudência, Retórica, Matemática, Astronomia e de Medicina); Pedagogo; Professor (de Grego e Latim); Fundador de Escolas; Escritor; Moralista; Filósofo; Humanista; Historiador; Reformador; Teólogo; Exegeta;  Biblicista; Pregador Protestante.
"Eu [Jesus] Sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido Comigo e Eu com ele, esse dá muito fruto porque sem Mim vocês não podem fazer nada." (João 15:5, NTLH, SBB).
"Ora, vocês são o Corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Têm todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam? / Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente." (1ª Coríntios 12:27-31, NVI, SBI).
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor." (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Filipe nasceu em Bretten, na Saxônia, Alemanha, famosa rota de comércio internacional, com trânsito intenso de tecidos.

O seu avô, Johann Reuter, foi prefeito, além de importante comerciante. A sua avó descendia da elite e trouxe uma maravilhosa mansão para o matrimônio. Bárbara Reuter, filha do casal, foi casada com o armeiro do príncipe-eleitor, Georg Schwartzerdt, filho de ferreiro.

Georg foi couraceiro e suas armaduras leves e resistentes eram cobiçadas por imperadores. Também foi mestre na arte de fundir canhões e dispará-los. O seu patrão era o soberano de sua terra natal, Filipe - O Sincero, do Palatinado. Conde Palatino é um título de nobreza originado no Império Romano Ocidental adaptado aos Reinos Germânicos. O termo Palatal procede de Palácio. Quando Bárbara Reuter, aos 20 anos, deu à luz o seu primeiro filho, ele recebeu o nome desse príncipe-eleitor. Nascia Philipp Reuter Schwartzerdt - o futuro Reformador. Melanchthon é a tradução do seu nome alemão para o grego, significando "terra-preta".

Na infância, desfrutou do conforto acessível aos ricos, mas com a ausência constante do pai que labutava para trazer tais benefícios. Depois do nascimento dos irmãos, desenvolveu afinado senso comunitário com integração e adaptação.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Estudou latim em uma escola local e através de professor particular, lendo textos profundos em teses e réplicas, lapidando o seu intelecto debatedor. Posteriormente, os acadêmicos ficariam surpresos com o seu domínio e profundidade expressados em latim.

A estabilidade, aconchego e paz da família foram tumultuados pela guerra. O Palatinado Eleitor foi atacado com bombardeios e rendições, provavelmente, o avô de Filipe foi ameaçado por mercenários. Os resultados da guerra, além dos danos sobre pessoas e famílias, culminaram em prejuízos territoriais.

Nessa época, o seu pai ficou gravemente enfermo, talvez, devido ao manuseio de metais tóxicos em seu ofício, mas não é descartada a hipótese de envenenamento de água durante os conflitos da guerra. Filipe Melâncton conhecia os efeitos da guerra e dos conflitos, assim abraçaria por toda a vida a bandeira da paz e proclamaria a superação das diferenças.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Todas essas experiências associadas à sua educação colaboraram para a sua formação Humanística, que viria a ser a profissão de sua vida, também contribuíram para que não estacionasse estritamente no Racionalismo, mas desenvolvesse harmoniosamente a devoção e oração.

O currículo das universidades medievais era marcado fundamentalmente pela questão dos conceitos genéricos, os chamados universais. A questão se as ideias no sentido platônico existiam realmente ou se apenas seriam abstrações do pensamento humano tinha reflexo também sobre a forma dos compêndios de lógica. Assim sendo, ela também era colocada aos principiantes nos estudos. Acontece que o estudo escolástico, com as disciplinas "triviais" gramática, dialética e retórica, enfatizava o exercício da lógica. Dependendo dos princípios pelos quais o pensamento era treinado, a vida podia tomar esse ou aquele rumo. Havia diferentes versões, mas elas costumavam ser divididas em duas orientações básicas ou vias. De via antiqua são chamadas as diversas escolas aristotélicas derivadas de Alberto Magno, Tomás de Aquino, Duns Scotus e outros; também são chamados de realistas, porque dizem que os conceitos genéricos têm realidade... Melanchthon passou a estudar seguindo essa vertente...
Melâncton, ainda em sua adolescência, em versos recomendou uma defesa da teologia escolástica, escreveu em métrica de poema elegíaco, e fez alusão textual a Propércio (43 a.C. - 17), demonstrando habilidade literária e profundidade de conhecimento nos clássicos, entretanto, em sua época, a citação de autores modernos era mais prestigiado do que as fontes antigas. Posteriormente, concentrou os estudos nas disciplinas da Faculdade de Artes e no estudo particular de autores da Antiguidade. Filipe também adquiriu consideráveis conhecimentos astronômicos, das línguas clássicas, da matemática, e da política educacional.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Filipe Melâncton assumiu a cátedra dedicada à língua e à literatura gregas, e também cuidou da cátedra de hebraico. Defendia que o importante é buscar as fontes em uma época de desafios, pois os jovens não possuíam o interesse que outras gerações apresentaram, aprender grego era coisa de arrogante, o sentido do hebraico ninguém garantia. Dizia: "O desprezo pela língua grega, a ignorância da matemática e o estado de abandono da teologia andam de mãos dadas." Ele não queria eliminar as disciplinas tradicionais, mas conduzir os seus alunos das informações secundárias para aquelas que realmente interessavam, da mesma forma que diziam os antigos, pois assim alcançariam as bases para a Teologia e o Direito. Constantemente ensinava: "Dos melhores autores escolha o melhor do conhecimento da natureza bem como da formação da personalidade"; "Quem não tem discernimento lê qualquer coisa que apareça pela frente, sem plano ou objetivo algum, e no fim das contas não sabe nada".

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
As suas tarefas como especialista em língua grega proporcionaram o íntimo conhecimento das tradições literárias gregas da Antiguidade e, por consequência, também com as romanas. Escreveu versos em grego, traduziu autores gregos para o latim. Traduziu para o latim obras inteiras de Demóstenes, Aristóteles e Ptolomeu. Publicou a sua gramática de grego. Melâncton lecionou sobre numerosos autores latinos, principalmente Cícero, fonte indispensável para a retórica e a ética. Escreveu poemas durante toda a sua vida, e muitos foram publicados em latim. Também publicou uma gramática de latim. Jamais deixou de exercitar o seu excelente alemão. Publicou um manual de retórica e lecionava sobre o tema com maestria.

Filipe Melâncton adverte contra a tentação de criar expressões estranhas e inovadoras: "Quem inventa novas expressões visa principalmente projetar uma imagem de grande perspicácia, mas geralmente não descreve a questão com fidelidade. A invenção de termos novos promete segredos espetaculares, quando, na verdade, propaga pura tolice... O mais certeiro sinal de uma cabeça monstruosa é a fala monstruosa." Ele demonstra essas características entre os Escolásticos, Filósofos, Hereges e Cabalísticos.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Melâncton denunciava os erros de pensamento de sua época e colocava as Escrituras acima de quaisquer tradições:

"... são uns preguiçosos, montam um sermão fazendo plágio e dizem aquilo que o povo quer ouvir. Mas essa gente acha que tudo o que é bom e decente - a espiritualidade, a ordem pública, o próprio Cristo - é mera encenação."
"... como Deus resolveu falar em nossa linguagem, qualquer pessoa incompetente nas matérias linguísticas se sentiria no direito de emitir juízo inadequado sobre a fala divina... Mas, recentemente, Deus voltou a ter pena e decidiu devolver o evangelho; restaurou as letras para que ajudassem a lidar com o evangelho. Em outras palavras: o humanismo renascentista é instrumento da Reforma."
"Existem esferas do sagrado que somente são contempladas quando Deus as mostra, sendo que nós somente conhecemos Cristo pelo Espírito Santo. Mas, independentemente dessa manifestação profética, é preciso tomar conhecimento do sentido das palavras [Literalidade Contextual]. Os mistérios divinos estão guardados nas palavras como que num tabernáculo. Que adianta recitá-las magicamente sem entendê-las? Portanto quem realmente se importa com a espiritualidade precisa aprender a falar direito."
"A coisa mais importante é aprender a falar direito... Quem for piedoso e correto não precisa de leis. A espiritualidade (pietas) aprende-se na Bíblia, já a humanitas e a civilitas [civilidade], com os antigos oradores e poetas... Portanto os estudantes devem andar decentes, vestir-se com dignidade e cumprimentar seus superiores."

Filipe não nutria qualquer utopia ou ilusões, pois conhecia as inclinações humanas, sabia que a maioria das pessoas, que decidiram em favor ou contra a Reforma, não tinham motivações ideológicas, mas materiais e bem concretas.

Martinho Lutero
Martinho Lutero.
(1483-1546)
Assim como todos os Reformadores, ele utilizou o princípio da Escritura para criticar os abusos na tradição da igreja.

Melâncton estudava teologia aos pés de Lutero, e esse aperfeiçoava os seus conhecimentos de grego sob a mentoria de Filipe, típico exemplo de cooperação e edificação mútua para o bem do Reino de Deus.

Martinho Lutero dizia: "Eu nasci para enfrentar e debelar os bandidos e diabos; é por isso que muitos dos meus livros são agressivos, rebeldes. A mim cabe tirar da frente os blocos e as toras, arrancar espinhos e arbustos, tapar buracos; eu sou o rude lenhador a quem cabe abrir e preparar o caminho. Já o magister Filipe procede com cuidado, em silêncio, lavra e planta, semeia e irriga com vontade, segundo os talentos que Deus tão ricamente lhe proporcionou".


FONTE:

Livro: Melanchthon - Uma Biografia.
Autor: Heinz Scheible.
Editora: Sinodal. (Brasil).
Páginas: 301.

Livro: O Cristianismo Através dos Séculos - Uma História da Igreja Cristã.
Autor: Earle E. Cairns.
Editora: Vida Nova. (Brasil).
Páginas: 508.

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Um comentário:

  1. Glórias ao Deus altíssimo! e ao seu filho amado, nosso senhor Jesus Cristo!

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