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William Wilberforce

BIOGRAFIA CRISTÃ Nº 73: William Wilberforce (1759-1833) foi um inglês Político Parlamentar; Escritor; Humanista; Filantropo; Moralista; Ativista Abolicionista; e Calvinista.
"Eu [Jesus] Sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido Comigo e Eu com ele, esse dá muito fruto porque sem Mim vocês não podem fazer nada." (João 15:5, NTLH, SBB).
"Ora, vocês são o Corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Têm todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam? / Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente." (1ª Coríntios 12:27-31, NVI, SBI).
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor." (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

William Wilberforce
William Wilberforce.
(1759-1833)
William Wilberforce nasceu em East Yorkshire, condado da Inglaterra. Filho e neto de comerciantes, os seus ascendentes fizeram fortunas através do comércio marítimo entre os países bálticos.

O seu pai faleceu pouco antes do pequeno William completar nove anos de idade. Depois da tragédia, foi enviado para morar com os tios, William e Hannah, iniciando as primeiras influências no Cristianismo.

A sua mãe mantinha afinidades com a Igreja Estatal Anglicana e temia quaisquer influências dos "rebeldes" Metodistas sobre o seu filho. Nesse ponto, verificamos como Deus zomba das nossas ignorâncias religiosas, e providencialmente, prepara caminhos bíblicos que afrontam totalmente as tradições humanas. William Wilberforce tornar-se-ia um dos cristãos ativos mais influenciados pelo Metodismo, inclusive nas questões pertinentes ao Abolicionismo da Escravatura, embora seguisse a teologia Calvinista.

Na infância, Wilberforce nutriu admiração pelos avivalistas George Whitefield, John Wesley e John Newton, embora, na juventude abandonasse toda a influência para seguir um viver mundano. Quando refletiu sobre o passado na faculdade St. John, em Cambridge, alegou: "Não fiz absolutamente nada... podia viver às expensas da riqueza de meus pais e sobreviver trabalhando pouco... perdi o interesse pela religião bíblica e adorava circular entre a elite social...".
Curiosamente, tal situação é frequente nos lares cristãos, afinal somos bombardeados pelo raciocínio da Pós-Modernidade com todo o seu recheio Narcisista e Clientelista, ou seja, nossos jovens são fruto de uma Sociedade Egoísta que retirou a centralidade de Deus e entronizou o EU nas decisões diárias, resultando em uma geração extremamente mimada.

William Wilberforce
William Wilberforce.
(1759-1833)
William Wilberforce conheceu e desenvolveu amizade com William Pitt, que aos vinte e quatro anos de idade seria o Primeiro Ministro da Inglaterra. Wilberforce também iniciou os caminhos políticos, investindo 8.000 libras na eleição para uma vaga na Casa dos Comuns em Hull. Assim começou uma jornada de quarenta e seis anos nos círculos políticos do Reino Unido com influências e consequências na história mundial, inclusive, no Brasil Império que foi sustentado pelo escravagismo.

Durante os feriados prolongados, enquanto o Parlamento suspendia as atividades, William viajava com os amigos. Nesses passeios, foi surpreendido com a conversão do seu amigo, o professor Isaac Milner, que não demonstrava quaisquer estereótipos evangélicos, mas nutria íntima devoção cristã. Isaac emprestou alguns livros para Wilberforce que foram cruciais para os propósitos de Deus em sua vida.

O processo de introdução à Fé Salvífica foi gradual e progressivo, conforme as palavras de William Wilberforce: "... tinha atingido um consentimento intelectual com a perspectiva bíblica sobre o homem, Deus e Cristo". Assim, lentamente, a sua intelectualidade se tornou em uma profunda convicção bíblica, evidenciando a sua conversão através da repulsa e desprezo que começou a sentir em relação às riquezas e à luxúria.

Wilberforce foi muito ajudado através da mentoria de John Newton, autor do famoso hino Amazing Grace (Graça Maravilhosa), que não era estimado pelos pares no Parlamento, principalmente pela postura Abolicionista. Muitas cartas foram trocadas entre esses homens, contribuindo para a edificação, encorajamento e orientação de William.

John Newton.
(1725-1807)
"Gostaria de ter uma conversa séria com você [John Newton]... Tenho dez mil dúvidas dentro de mim, se devo ou não me abrir com você; mas cada argumento contrário tem sua base no orgulho. Tenho certeza que você manterá isso em segredo e não permitirá a nenhum outro ser vivo saber desse encontro ou da minha visita até que eu o libere dessa obrigação... PS: lembre-se de que preciso de sigilo e que a galeria da Casa agora é tão frequentada que o rosto de um membro do parlamento é muito bem conhecido de todos." William Wilberforce.
"Depois de ter dado uma ou duas voltas no quarteirão antes de me convencer, fiz uma visita ao velho Newton - fui muito influenciado nessa conversa - havia nela alguma coisa muito agradável e simples. Ele me disse que sempre teve esperança de que Deus em algum momento me levaria até Ele... Quando sai dali, me encontrei num estado de calma e tranquilidade, mais humilde e parecendo-me mais devotado a Deus." William Wilberforce.

O sábio John Newton, consciente de sua época e das necessidades e lutas contra a escravidão, orientou William Wilberforce para permanecer na vida pública para a Glória de Deus e para o viver bíblico. Os recessos parlamentares seriam utilizados com sabedoria, agora estudaria de nove a dez horas por dia, tomaria o seu café da manhã e faria caminhadas a sós, jantando com a família anfitriã ou outros convidados. A Bíblia tornou-se o livro mais amado e digno de ser memorizado. Desta forma, recuperou o tempo perdido na ociosidade universitária.

William Wilberforce
William Wilberforce.
(1759-1833)
Décadas de atividade parlamentar foram utilizadas para cumprir o encargo de Deus. "O Deus Todo-Poderoso colocou diante de mim dois grandes propósitos, a Supressão do Tráfico de Escravos e a Reforma dos Padrões de Comportamento (Éticos)".

"O grande propósito da minha existência parlamentar [é a abolição do tráfico de escravos]... Diante dessa grande causa, todas as outras se tornam menores ante os meus olhos, e devo dizer que a certeza de que aqui estou no lugar certo contribui grandemente para o prazer com o qual me esforço em defendê-la. Se agradou a Deus me honrar até aqui, que eu seja o instrumento para deter tamanho aumento da perversidade e crueldade como nunca antes um país cristão havia sido ultrajado." William Wilberforce.

John Wesley
John Wesley.
(1703-1791)
John Wesley, aos oitenta e sete anos de idade, em 1791, escreveu a Wilberforce e disse: "A menos que Deus tenha levantado você para fazer exatamente isso, você se desgastará com a oposição do homem e dos demônios. Mas se Deus é por você, quem poderá ser contra?".

Os inimigos declaravam que "Wilberforce se levantava, não importando quantas vezes eles o derrubavam". Outros relatavam: "É necessário observá-lo, pois ele é abençoado com uma quantidade bastante completa daquele espírito Entusiástico, que está tão distante de ser derrotado e que cresce com mais vigor ainda a partir dos golpes recebidos".

Além das lutas políticas desencadeadas pelas forças malignas, William Wilberforce também enfrentava muitas enfermidades, adquiriu Gota, sua visão ficou ruim que mal enxergava a caneta e suas roupas ficavam mal colocadas porque não conseguia ver o espelho. Estava enfrentando sintomas de envenenamento lento e progressivo causado pela morfina, prescrita pelos médicos para o tratamento de colite ulcerosa. Devido a existência de um problema pulmonar, ele desenvolveu um desvio de coluna, o seu ombro começou a inclinar-se, e sua cabeça tombou para frente, a cada ano, até que ficou apoiada no seu peito, assim ficou com uma aparência deformada. Contudo, a alegria caracterizava a sua vida.
"... para Wilberforce, por um lado, a alegria era ao mesmo tempo uma maneira de sobrevivência e perseverança, por outro, também um ato profundo de submissão, obediência e adoração. A alegria em Cristo era um mandamento. E a alegria em Cristo era a única maneira de ter sucesso de forma proveitosa através de décadas de derrota temporária. Era um alicerce profundo de perseverança. 'Nunca houve um tempo', ele escreveu, 'como o que vivemos hoje, no qual precisamos inculcar, com mais força, a sabedoria de buscar a felicidade além da esfera das vicissitudes humanas." John Piper - Pastor Batista Calvinista.
"Se me pedissem para descrever Wilberforce em uma palavra, eu diria que ele era o homem mais capaz de ser 'divertido' que já conheci na vida. Em vez de pensar em quais assuntos interessariam a ele, é quase impossível achar um que não o interesse. Nunca vi alguém tão ligado em tantos aspectos da vida, e isto é ainda mais impressionante num homem que supostamente vive absorvido na contemplação de um estado futuro. Quando estava na Casa dos Comuns, ele parecia ter a mente mais fresca que todos os demais homens de lá. Havia todo o fascínio da juventude em torno dele." Sir James Mackintosh.

Durante o funeral de William Wilberforce, na Igreja de St. Paul, em Middlesex, Joseph Brown disse:
"Ele também era um cristão dos mais animados. Sua harpa parecia sempre estar afinada; nenhuma 'atmosfera sombria ou tristeza melancólica' o envolvia; o sol parecia estar sempre brilhando para ele: por conseguinte, era notadamente um aficionado por cantar hinos, tanto na oração familiar quanto particular. Ele diria: 'Um cristão precisa ter alegria e paz em sua fé [Rm 15.13]: É seu dever transbordar em adoração".

A biografia de William Wilberforce é encorajadora para aqueles cristãos que continuam em suas atividades diárias: empresários; executivos; profissionais autônomos; e principalmente, para os servidores públicos das Administrações Direta e Indireta, para os funcionários concursados ou comissionados; enfim para todos aqueles que trabalham nos Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Em época de crise moral e ética no Brasil, com ausência de identificação com a representatividade no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, e nas Câmaras Municipais; morosidade processual no Judiciário; problemas na gestão dos recursos arrecadados com os tributos; etc. rogamos a Deus que a biografia de William Wilberforce seja conhecida e provoque constrangimento entre aqueles que devem representar democraticamente o interesse da Nação.


William Wilberforce
William Wilberforce.
(1759-1833)
SUAS PALAVRAS:

"Os benefícios práticos da habitual humildade de espírito são muito numerosos para serem relacionados. Ela o levará a temer pelo pecado e a fugir de suas oportunidades, assim como um homem se manteria distante de uma doença infecciosa. Evitará milhares de dificuldades e responderá milhares de perguntas a respeito dos comprometimentos mundanos. Ela o capacitará a desejar de coração agir em todas as circunstâncias com um olhar singelo para com o favor de Deus."
"Para agradar a Deus, é também essencial guardar-se de todas as distrações dos cuidados terrenos. Para isso, é necessário o cultivo de uma mentalidade voltada para as coisas celestes e um espírito de oração contínuo. É preciso vigiar incessantemente as obras de nosso coração enganoso."
"À proporção que cresce em graça, um cristão também cresce em humildade. A humildade é, de fato, o princípio primeiro e último do cristianismo. A partir deste princípio, ele vive e se desenvolve. À medida que a humildade cresce ou declina, do mesmo modo o cristianismo deve florescer ou decair."
"Estejam constantemente cientes de sua própria corrupção radical e de sua fraqueza habitual. Na verdade, se deixarem que Deus realmente abra os seus olhos, e verdadeiramente amoleça os seus corações, vocês se tornarão a cada dia mais e mais cônscios de seus próprios defeitos, desejos e fraquezas. Se vocês tiverem 'fome e sede de justiça', desejarão cada vez mais se purificar, assim como Deus é puro."


FONTE:

Livro: Maravilhosa Graça na Vida de William Wilberforce.
Autor: John Piper.
Editora: Tempo de Colheita. (Brasil).
Páginas: 65.

Livro: Cristianismo Verdadeiro - Discernindo a Fé Verdadeira da Falsa.
Série: Clássicos da Espiritualidade Cristã.
Autor: William Wilberforce.
Editora: Palavra. (Brasil).
Páginas: 190.

Livro: A Bíblia no Brasil Império - Como um livro proibido durante o Brasil Colônia tornou-se uma das obras mais lidas nos tempos do Império.
Autor: Luiz Antonio Giraldi.
Editora: Sociedade Bíblica do Brasil - SBB. (Brasil).
Páginas: 365.

Livro: O Cristianismo através dos Séculos - Uma História da Igreja Cristã.
Autor: Earle E. Cairns.
Editora: Vida Nova. (Brasil).
Páginas: 508.

Filipe Melâncton

BIOGRAFIA CRISTÃ Nº 72: Filipe Melâncton (1497-1560), também conhecido como Philipp Schwartzerdt ou Philipp Melanchthon, foi um alemão Estudante (de Jurisprudência, Retórica, Matemática, Astronomia e de Medicina); Pedagogo; Professor (de Grego e Latim); Fundador de Escolas; Escritor; Moralista; Filósofo; Humanista; Historiador; Reformador; Teólogo; Exegeta;  Biblicista; Pregador Protestante.
"Eu [Jesus] Sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido Comigo e Eu com ele, esse dá muito fruto porque sem Mim vocês não podem fazer nada." (João 15:5, NTLH, SBB).
"Ora, vocês são o Corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Têm todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam? / Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente." (1ª Coríntios 12:27-31, NVI, SBI).
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor." (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Filipe nasceu em Bretten, na Saxônia, Alemanha, famosa rota de comércio internacional, com trânsito intenso de tecidos.

O seu avô, Johann Reuter, foi prefeito, além de importante comerciante. A sua avó descendia da elite e trouxe uma maravilhosa mansão para o matrimônio. Bárbara Reuter, filha do casal, foi casada com o armeiro do príncipe-eleitor, Georg Schwartzerdt, filho de ferreiro.

Georg foi couraceiro e suas armaduras leves e resistentes eram cobiçadas por imperadores. Também foi mestre na arte de fundir canhões e dispará-los. O seu patrão era o soberano de sua terra natal, Filipe - O Sincero, do Palatinado. Conde Palatino é um título de nobreza originado no Império Romano Ocidental adaptado aos Reinos Germânicos. O termo Palatal procede de Palácio. Quando Bárbara Reuter, aos 20 anos, deu à luz o seu primeiro filho, ele recebeu o nome desse príncipe-eleitor. Nascia Philipp Reuter Schwartzerdt - o futuro Reformador. Melanchthon é a tradução do seu nome alemão para o grego, significando "terra-preta".

Na infância, desfrutou do conforto acessível aos ricos, mas com a ausência constante do pai que labutava para trazer tais benefícios. Depois do nascimento dos irmãos, desenvolveu afinado senso comunitário com integração e adaptação.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Estudou latim em uma escola local e através de professor particular, lendo textos profundos em teses e réplicas, lapidando o seu intelecto debatedor. Posteriormente, os acadêmicos ficariam surpresos com o seu domínio e profundidade expressados em latim.

A estabilidade, aconchego e paz da família foram tumultuados pela guerra. O Palatinado Eleitor foi atacado com bombardeios e rendições, provavelmente, o avô de Filipe foi ameaçado por mercenários. Os resultados da guerra, além dos danos sobre pessoas e famílias, culminaram em prejuízos territoriais.

Nessa época, o seu pai ficou gravemente enfermo, talvez, devido ao manuseio de metais tóxicos em seu ofício, mas não é descartada a hipótese de envenenamento de água durante os conflitos da guerra. Filipe Melâncton conhecia os efeitos da guerra e dos conflitos, assim abraçaria por toda a vida a bandeira da paz e proclamaria a superação das diferenças.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Todas essas experiências associadas à sua educação colaboraram para a sua formação Humanística, que viria a ser a profissão de sua vida, também contribuíram para que não estacionasse estritamente no Racionalismo, mas desenvolvesse harmoniosamente a devoção e oração.

O currículo das universidades medievais era marcado fundamentalmente pela questão dos conceitos genéricos, os chamados universais. A questão se as ideias no sentido platônico existiam realmente ou se apenas seriam abstrações do pensamento humano tinha reflexo também sobre a forma dos compêndios de lógica. Assim sendo, ela também era colocada aos principiantes nos estudos. Acontece que o estudo escolástico, com as disciplinas "triviais" gramática, dialética e retórica, enfatizava o exercício da lógica. Dependendo dos princípios pelos quais o pensamento era treinado, a vida podia tomar esse ou aquele rumo. Havia diferentes versões, mas elas costumavam ser divididas em duas orientações básicas ou vias. De via antiqua são chamadas as diversas escolas aristotélicas derivadas de Alberto Magno, Tomás de Aquino, Duns Scotus e outros; também são chamados de realistas, porque dizem que os conceitos genéricos têm realidade... Melanchthon passou a estudar seguindo essa vertente...
Melâncton, ainda em sua adolescência, em versos recomendou uma defesa da teologia escolástica, escreveu em métrica de poema elegíaco, e fez alusão textual a Propércio (43 a.C. - 17), demonstrando habilidade literária e profundidade de conhecimento nos clássicos, entretanto, em sua época, a citação de autores modernos era mais prestigiado do que as fontes antigas. Posteriormente, concentrou os estudos nas disciplinas da Faculdade de Artes e no estudo particular de autores da Antiguidade. Filipe também adquiriu consideráveis conhecimentos astronômicos, das línguas clássicas, da matemática, e da política educacional.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Filipe Melâncton assumiu a cátedra dedicada à língua e à literatura gregas, e também cuidou da cátedra de hebraico. Defendia que o importante é buscar as fontes em uma época de desafios, pois os jovens não possuíam o interesse que outras gerações apresentaram, aprender grego era coisa de arrogante, o sentido do hebraico ninguém garantia. Dizia: "O desprezo pela língua grega, a ignorância da matemática e o estado de abandono da teologia andam de mãos dadas." Ele não queria eliminar as disciplinas tradicionais, mas conduzir os seus alunos das informações secundárias para aquelas que realmente interessavam, da mesma forma que diziam os antigos, pois assim alcançariam as bases para a Teologia e o Direito. Constantemente ensinava: "Dos melhores autores escolha o melhor do conhecimento da natureza bem como da formação da personalidade"; "Quem não tem discernimento lê qualquer coisa que apareça pela frente, sem plano ou objetivo algum, e no fim das contas não sabe nada".

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
As suas tarefas como especialista em língua grega proporcionaram o íntimo conhecimento das tradições literárias gregas da Antiguidade e, por consequência, também com as romanas. Escreveu versos em grego, traduziu autores gregos para o latim. Traduziu para o latim obras inteiras de Demóstenes, Aristóteles e Ptolomeu. Publicou a sua gramática de grego. Melâncton lecionou sobre numerosos autores latinos, principalmente Cícero, fonte indispensável para a retórica e a ética. Escreveu poemas durante toda a sua vida, e muitos foram publicados em latim. Também publicou uma gramática de latim. Jamais deixou de exercitar o seu excelente alemão. Publicou um manual de retórica e lecionava sobre o tema com maestria.

Filipe Melâncton adverte contra a tentação de criar expressões estranhas e inovadoras: "Quem inventa novas expressões visa principalmente projetar uma imagem de grande perspicácia, mas geralmente não descreve a questão com fidelidade. A invenção de termos novos promete segredos espetaculares, quando, na verdade, propaga pura tolice... O mais certeiro sinal de uma cabeça monstruosa é a fala monstruosa." Ele demonstra essas características entre os Escolásticos, Filósofos, Hereges e Cabalísticos.

Filipe Melâncton
Filipe Melâncton.
(1497-1560)
Melâncton denunciava os erros de pensamento de sua época e colocava as Escrituras acima de quaisquer tradições:

"... são uns preguiçosos, montam um sermão fazendo plágio e dizem aquilo que o povo quer ouvir. Mas essa gente acha que tudo o que é bom e decente - a espiritualidade, a ordem pública, o próprio Cristo - é mera encenação."
"... como Deus resolveu falar em nossa linguagem, qualquer pessoa incompetente nas matérias linguísticas se sentiria no direito de emitir juízo inadequado sobre a fala divina... Mas, recentemente, Deus voltou a ter pena e decidiu devolver o evangelho; restaurou as letras para que ajudassem a lidar com o evangelho. Em outras palavras: o humanismo renascentista é instrumento da Reforma."
"Existem esferas do sagrado que somente são contempladas quando Deus as mostra, sendo que nós somente conhecemos Cristo pelo Espírito Santo. Mas, independentemente dessa manifestação profética, é preciso tomar conhecimento do sentido das palavras [Literalidade Contextual]. Os mistérios divinos estão guardados nas palavras como que num tabernáculo. Que adianta recitá-las magicamente sem entendê-las? Portanto quem realmente se importa com a espiritualidade precisa aprender a falar direito."
"A coisa mais importante é aprender a falar direito... Quem for piedoso e correto não precisa de leis. A espiritualidade (pietas) aprende-se na Bíblia, já a humanitas e a civilitas [civilidade], com os antigos oradores e poetas... Portanto os estudantes devem andar decentes, vestir-se com dignidade e cumprimentar seus superiores."

Filipe não nutria qualquer utopia ou ilusões, pois conhecia as inclinações humanas, sabia que a maioria das pessoas, que decidiram em favor ou contra a Reforma, não tinham motivações ideológicas, mas materiais e bem concretas.

Martinho Lutero
Martinho Lutero.
(1483-1546)
Assim como todos os Reformadores, ele utilizou o princípio da Escritura para criticar os abusos na tradição da igreja.

Melâncton estudava teologia aos pés de Lutero, e esse aperfeiçoava os seus conhecimentos de grego sob a mentoria de Filipe, típico exemplo de cooperação e edificação mútua para o bem do Reino de Deus.

Martinho Lutero dizia: "Eu nasci para enfrentar e debelar os bandidos e diabos; é por isso que muitos dos meus livros são agressivos, rebeldes. A mim cabe tirar da frente os blocos e as toras, arrancar espinhos e arbustos, tapar buracos; eu sou o rude lenhador a quem cabe abrir e preparar o caminho. Já o magister Filipe procede com cuidado, em silêncio, lavra e planta, semeia e irriga com vontade, segundo os talentos que Deus tão ricamente lhe proporcionou".


FONTE:

Livro: Melanchthon - Uma Biografia.
Autor: Heinz Scheible.
Editora: Sinodal. (Brasil).
Páginas: 301.

Livro: O Cristianismo Através dos Séculos - Uma História da Igreja Cristã.
Autor: Earle E. Cairns.
Editora: Vida Nova. (Brasil).
Páginas: 508.

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